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O Hospital Albert Einstein e sua política de sustentabilidade

Hospital Albert Einstein

Edificados em nome da saúde, hospitais também podem ameaçá-la. Quando o atendimento aos pacientes é feito ao custo de impactos sociais, ambientais e econômicos, transformam essas instituições dedicadas ao bem-estar das pessoas em agentes poluidores, criando condições que favorecem a propagação de doenças e aumentando os custos da saúde.

Consumidores de toneladas de insumos, equipamentos, acessórios, medicamentos e embalagens, hospitais geram impactos proporcionais. De uma forma ou de outra, tudo isso acaba virando lixo. São papéis, plásticos, metais, vidros e resíduos diversos, cujo descarte e processamento podem resultar em subprodutos que contaminam o solo e a água. Não custa lembrar que a água potável que tomamos costuma trazer resíduos de quimioterápicos, anti-inflamatórios e outras drogas – seja pelo descarte inadequado desses produtos ou no processo natural de eliminação pelo organismo.

Parte do lixo gerado pelos hospitais tem tratamento especial devido às suas características químicas e/ou infectantes. Mas mesmo esse processo não é feito a custo zero para o meio ambiente. As tecnologias de desinfecção ou incineração também resultam em resíduos sólidos, líquidos e gasosos. O lixo orgânico, por sua vez, irá se decompor em aterros, produzindo gás metano, 20 vezes mais poluidor que o gás carbônico (CO2). “Aqui no Brasil, um grande hospital gera, por ano, em média, um volume de lixo capaz de encher sete estádios de futebol como o do Morumbi”, compara o Dr. Marcos Tucherman, gerente de Saúde, Segurança e Meio Ambiente do Einstein.

“Além disso, funcionando 24 horas por dia, sete dias por semana, hospitais demandam altas doses de recursos cada vez mais escassos, como água e energia”, completa ele. De acordo com estudo publicado no site da Organização Mundial da Saúde (OMS), as instituições de saúde do Brasil respondem pelo consumo de 10,6% do total da energia comercial do país.

Desafios complexos

Todos esses são efeitos colaterais perigosos de uma medicina desafiada pelo contexto das mudanças climáticas, da exploração predatória dos recursos naturais e do envelhecimento da população, cada vez mais vulnerável às doenças crônicas e neoplasias agravadas pelos desequilíbrios ambientais, como aumento da poluição e exposição a água e alimentos contaminados. “Nossa função é a manutenção da saúde. Não podemos ter práticas contrárias a isso”, afirma o Dr. Luiz Vicente Rizzo, diretor de Pesquisa do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa do Hospital Albert Einstein. “Instituições de saúde não podem mais se preocupar apenas em curar. Elas precisam levar em conta os impactos de suas práticas sobre o meio ambiente e as comunidades do entorno”, reforça o Dr. Eduardo Zlotnik, chairman do Comitê de Responsabilidade Social e Sustentabilidade do Hospital Albert Einstein.

Internacionalmente, governos e organizações não-governamentais já estão mobilizados para mensurar e minimizar impactos. O sistema público de saúde inglês, por exemplo, tem como meta reduzir em 80% suas emissões até 2050, tendo os números de 2007 como referência. Nos Estados Unidos, onde há 20 anos se alastra uma “onda verde” no campo da medicina, é forte a atuação de entidades com a Health Care Without Harm (Saúde Sem Dano) e a Practice GreenHealth (Prática da Saúde Verde). Também nesse país, são notáveis as ações de associações hospitalares como a Kaiser Permanente. Congregando dezenas de instituições com poder de compra bilionário, essa associação vem imprimindo importantes mudanças em toda a cadeia de suprimentos hospitalares, exigindo produtos e equipamentos mais sustentáveis e vetando matérias-primas consideradas nocivas à saúde e à natureza.

Iniciativas no Brasil

Cientes de que a prática médica acontece numa rede de causa e efeito, hospitais de primeira linha no Brasil também vêm inovando para se transformar em instituições sustentáveis, ou seja, serem capazes de conciliar o cuidado e a segurança dos seus pacientes com a preservação da natureza e o desenvolvimento das comunidades. “Afinal, o conceito de sustentabilidade hospitalar está ancorado em três dimensões indissociáveis e interdependentes: econômica, ambiental e social”, ressalta o Dr. Zlotnik.

O que está em foco, de acordo com o Dr. Tucherman, são os três grandes desafios dos sistemas de saúde neste século XXI. O primeiro diz respeito aos gases de efeito estufa e seus reflexos no clima, gerando secas, catástrofes, afetando a produção de alimentos e favorecendo doenças e endemias. Quem vai acolher essas pessoas são as instituições de saúde. O segundo é o envelhecimento da população, que também vai demandar esses serviços em função das doenças crônicas e cânceres, que aumentam com a combinação da idade e fatores adversos, tais como produtos químicos e alimentos contaminados. E, finalmente, há o impacto das escolhas pessoais: sem educação e conscientização das pessoas sobre práticas saudáveis (alimentação, atividades físicas, não fumar, etc.), as doenças aumentam. Somadas essas condições de um lado e, de outro, o déficit de leitos hospitalares e os progressivos aumentos dos custos da saúde em razão das novas drogas e tecnologias configura-se um ciclo extremamente perverso.

Por tudo isso, fazer diferente não é mais uma opção. É uma exigência. E hospitais de primeira linha, o Hospital Albert Einstein entre eles, têm dado passos decisivos nessa direção, adotando a sustentabilidade como diretriz estratégica, presente nas suas operações diárias, em programas educativos, em processos mais inteligentes e eficientes. O Hospital Albert Einstein é pioneiro entre as instituições de saúde no Brasil a aderir ao GHG (Greenhouse Gas) Protocol, protocolo internacional de gestão das emissões de gases de efeito estufa. Trata-se de um sistema que envolve a medição das emissões, visando monitorá-las, adotando-se ações para reduzi-las ou compensá-las. “Em vez de compensar plantando árvores ou comprando créditos de carbono, optamos por investir em eficiência, que traz resultados mais frutíferos. Eficiência permite minimizar os impactos ambientais e sociais e, ao mesmo tempo, otimizar recursos para aplicá-los naquilo que mais importa: a prestação de serviços de saúde”, afirma o Dr. Tucherman.

Conheça as ações de sustentabilidade do Hospital Albert Einstein

Novos caminhos

Exemplo de ação com esse perfil é o investimento em um projeto de gerenciamento e tratamento dos resíduos que a instituição gera. Em São Paulo, a Prefeitura é a responsável pela gestão dos resíduos hospitalares infectantes, submetidos a tratamento térmico e dispostos, depois, em aterros comuns. O Hospital Albert Einstein, porém, investiu na aquisição de duas autoclaves para o tratamento dos seus resíduos contaminantes. Todo o volume sairá da instituição como resíduo comum. Para os resíduos orgânicos, comprou dois equipamentos de desidratação, que os transforma em composto orgânico, seguindo para compostagem e transformando-se em adubo.

Outra iniciativa importante do Hospital Albert Einstein foi a instalação de 50 m² de placas de aquecimento solar, com redução de 35% no consumo de gás natural para aquecimento de água na unidade situada na região da Vila Mariana. Além disso, foi concluída, em fevereiro de 2011, a instalação da subestação de 34,5 KV no bloco A1 do complexo do bairro do Morumbi. Ela recebe energia elétrica direto da subestação de Traição, da Eletropaulo, e cobre toda a demanda da Unidade Morumbi. Essa iniciativa proporcionou uma oferta de energia elétrica mais estável para o hospital, com redução expressiva no consumo de óleo diesel para gerar energia elétrica em situações de emergência. Com isso, a emissão de carbono no hospital caiu substancialmente. Houve melhoria também para a comunidade do entorno que, além da menor geração de CO², foi beneficiada com o desligamento do Hospital Albert Einstein do sistema de distribuição de energia elétrica local, antes compartilhado.

Outra frente de sustentabilidade vem sendo explorada pelo Hospital Albert Einstein e outras instituições em seus planos de expansão, com a descentralização de suas unidades, para estar mais perto dos pacientes. Além da comodidade que isso significa para eles, seus familiares e acompanhantes, a iniciativa contribui para minimizar deslocamentos e, portanto, as emissões de gases relacionadas com o uso de transportes. Os programas de desospitalização, com assistência domiciliar, também contam pontos positivos.

Despontam ainda as edificações hospitalares que seguem os padrões dos chamados “prédios verdes”, com soluções ecoeficientes, como reutilização da água de chuva para lavagem das instalações ou irrigação dos jardins, cobertura vegetal no telhado que ajuda a minimizar o aquecimento dos ambientes, painéis fotovoltaicos para aquecimento de água por energia solar e intensivo aproveitamento da iluminação natural, entre outros itens. Os projetos de expansão mais recentes do Hospital Albert Einstein já vêm contemplando esses requisitos sustentáveis, atestados inclusive por certificação internacional específica – a LEED (Leadership in Energy and Envorinmental Design).

Educação, pesquisa e inovação

Igualmente essencial no âmbito da sustentabilidade são as ações com foco em educação e conscientização. O Dr. Zlotnik ressalta que hospitais, médicos e profissionais da saúde são agentes fundamentais para a propagação de valores e práticas sustentáveis em relação à saúde – desde o descarte correto de medicamentos e outros produtos até a conscientização sobre hábitos que favorecem a qualidade de vida.

Vida saudável, vale lembrar, significa menos doenças e, portanto, menos demanda por serviços médico-hospitalares que impactam os custos de saúde. Programas públicos como a Estratégia de Saúde da Família, do qual o Hospital Albert Einstein participa, são frentes valiosas para promover mudanças nas práticas das comunidades, orientando sobre separação e descarte correto do lixo, hábitos de higiene, alimentação e atividade física, entre outros.

Hospitais sustentáveis também implantam programas internos visando à redução do consumo de insumos e materiais, como papel, por meio de ações de conscientização das suas equipes e do investimento em recursos digitais. Além disso, incorporam procedimentos e tecnologias mais sustentáveis e materiais mais ambientalmente amigáveis. “Nesse âmbito, o desenvolvimento de pesquisas médicas é fundamental para acelerarmos a caminhada em direção à sustentabilidade”, defende o Dr. Rizzo, citando, por exemplo, a importância de estudos sobre envelhecimento e degradação ambiental ou sobre o desenvolvimento e incorporação segura de novos materiais em substituição a plásticos, radioisótopos e inúmeros outros itens.

O rejuvenescimento de normas legais também poderá ajudar a insuflar os ventos sustentáveis. Países como os Estados Unidos vendem medicamentos em unidades (evitando desperdício de dinheiro e o descarte inadequado das sobras que o paciente não precisará consumir) e reaproveitam (sob rígidos critérios de processamento e fiscalização para garantir a segurança do paciente) partes de itens como endoscópios, cateteres, pinças cirúrgicas e outros que aqui no Brasil são de uso único. Isso para não falar do volume de papel gasto nos hospitais brasileiros para atender à legislação que obriga a guardar por cinco anos o impresso do prontuário de cada paciente. Prontuários eletrônicos já são adotados por um grande número de instituições. São mais seguros, mais eficientes, mais fáceis de arquivar e acessar. Por que imprimi-los?

Até recentemente, entendia-se que, em nome da saúde, vigorava uma espécie de vale-tudo. É um conceito doente, que tem de ser revisto sob as lentes da sustentabilidade. Esta, sim, leva a caminhos verdadeiramente saudáveis. O fato é que se o mundo de hoje traz novos desafios, também oferece soluções que ajudam a superá-los. É preciso, porém, saber e querer usá-las, ter disposição para mudar e renovar as práticas.

 Fonte: Comunicação HIAE

 

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